Home / Espiritualidade / Quem Foi São Jorge? Lenda e Mito do Mártir

Quem Foi São Jorge? Lenda e Mito do Mártir

São Jorge teve o auge de culto na Idade Media.  Portugueses, Italianos, Etíopes, Palestinos, Lituânios, Gregos, Sérvios, Ingleses, Russos, Ciganos, Leprosos, Soldados, Mendigos e Doutores são apenas um grupo de pessoas de diferentes nacionalidades, profissões e classes sociais que rendiam cultos a Jorge.

Conta a lenda que teria dado a vida em nome do Cristianismo, lutado contra um dragão para libertar uma princesa virgem e libertar um vilarejo. Em cima de seu cavalo branco, tornou-se o arquétipo do príncipe encantado, aquele que salva a todos no final da história. Trás a imagem da fé, coragem e resiliência.

O interessante é que – diferente de outros santos – não existe evidência alguma que ele tenha existido. Jorge da Capadócia para muitos historiadores é uma junção de lendas e mitos comuns em diversas culturas, motivo pelo qual ficou tão rapidamente conhecido e cultuado.

Conta-se que ele nasceu na Capadócia – atual Turquia – e era filho de um soldado grego no exército romano. Foi criado dentro do Cristianismo, tendo seguido para a Palestina com a mãe após a morte do pai. Foi então para Nicomedia (atualmente Turquia também) onde entrou para o exército, tendo sido soldado de Diocleciano, imperador de Roma na época.

Era um soldado dedicado, até descobrir a série de tragédias que os Cristão estavam passando. Ciente de toda a matança e violência, renunciou sua carreira em defesa do Cristianismo. Foi punido agressivamente: espetado por lanças, cortado por facas e jogado dentro de um caldeirão com chumbo derretido.

Sobreviveu milagrosamente, e manteve a posição de nunca negar a Cristo. Foi aprisionado e de dentro da cela começou a realizar milagre. A esposa de Diocleciano, ficou tão impressionada que se converteu ao Cristianismo, o que o deixou ainda mais enfurecido. Diocleciano então ordenou que ele fosse arrastado pelas curas e tivesse a cabeça cortada em praça pública, no dia 23 de abril de 303.

Entretanto, apesar da história inspiradora, Jorge só se tornaria conhecido e “famoso” muitos séculos depois. Acredita-se que sua tumba está localizada em Tel Aviv.

Conta-se que durante a primeira cruzada, os cavaleiros tiveram uma visão nítida durante a batalha de Antióquia, na Turquia em 1098. A partir desse dia, os soldados passaram a invocá-lo pedindo proteção, e seu culto passou a ser difundido entre a população, principalmente no que se referia a livrá-los de muçulmanos e seus atentados.

Importante salientar que segundo os historiadores e cientistas, na época em que Jorge viveu, a cavalaria praticamente não existia; eram auxiliares da Força, e dominados exclusivamente pelos patrícios, os ricos e bem-nascidos. Um Cristão pobre como ele, não teria tido chance nem de chegar perto de ser um deles. Entretanto, os cruzados decidiram que o velho mártir era um cavaleiro como eles, e assim ele passou a ser lembrado pelos séculos.

“A importância das lendas de São Jorge advém da seriedade do culto que lhe foi prestado, sobretudo como guerreiro e protetor de exércitos. Várias nações cristãs, na Idade Média adotaram como padroeiro, em particular os ingleses” (João Lupa – Historiador de Religiões da UFSC).

A história do dragão, surgem por volta de 1260, com a publicação de “A Lenda Dourada”. Na cidade de Silene, na Líbia, havia um dragão que vivia ao lado de um lago e aterrorizava a cidadã envenenando os campos com seu hálito, os moradores ofereciam ovelhas para a fera tentando acalmá-la. Como não surtia resultado, passaram a sortear crianças e enviarem como oferenda ao monstro. Um dia, a filha do rei foi sorteada, e ele não aceitou enviá-la, oferecendo ao povo riquezas para que escolhessem outra criança. O povo se revoltou contra o rei e a princesa foi vestida e levada para ser sacrificada. No caminho, a princesa encontrou Jorge, e comentou o que havia ocorrido. Ele decidiu ir por sua conta até o dragão. Ao encontrá-lo, ele lançou o dragão e com seu cinto o amarrou pelo pescoço, arrastando-o até a entrada da cidade. Prometeu que se todos se convertessem, mataria o dragão na presença de todos e estariam libertos. 15 mil pessoas se converteram e foram batizados, e Jorge matou o dragão na frente do povo.

Outra curiosidade é a questão de São Jorge ser visto na Lua. Realmente existe uma ilusão de ótica que se assemelha a silhueta da imagem amplamente difundida do santo guerreiro, mas só é vista dessa forma no Hemisfério Sul, especificamente no Brasil. Em outras regiões, como veem a lua de outro ângulo, não existe essa ilusão.

Independente das lendas que surgiram durante os séculos – algumas bem surreais – é fato que em 495 o Papa Gelásio I, disse que “São Jorge é um dos santos cujos nomes são justamente reverenciados, mas dos quais as ações são conhecidas somente por Deus”.

Comentários

comentários

About Carlos Machado Jr (Caju)

Leonino com ascendente em Sagitário. Estudo e me interesso por mediunidade, espiritualidade, astrologia, esoterismo, Umbanda, psicologia, parapsicologia, comportamento, religiões, orixás, ocultismo, oráculos, filosofia e mais uma dezenas de temas. :-)