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Inveja: bom, ruim ou algo necessário?

A inveja é um sentimento normal e natural do ser humano, divergindo apenas em grau e da forma como lidamos e a manifestamos. Quando dizemos que algo é “invejinha boa”, pode ter algum sentido. Vou explicar o motivo.

Quando vemos algo ou alguma situação e pensamos “Eu gostaria de ter isso pra mim”, estamos admirando aquilo e desejando para nós. Partindo do conceito que a inveja é almejar o que você não tem, podemos considerar o “gostar de algo que outro conquistou” como um tipo de inveja. Inveja então é tudo você admira (gosta) e deseja para si. Não ha nada de errado nisso, ao contrário. Se não invejássemos ou cobiçássemos coisas, seriamos estagnados na vida.

Observe que existem  coisas que você acha bonito, mas não faz questão ou não gostaria de ter. E existe coisas você acha bonito e gostaria de ter, ou seja, você cobiça. Esse – em tese – é o nascimento da inveja (independente do grau).

O grande problema é que os conceitos religiosos de medo, de castigo e demais balelas que estão arraigadas em nossa mente, transformaram um sentimento natural do ser humano em algo que é “pecado”. Daí as pessoas passam a distorcer tudo, para mostrarem uma personagem bonitinha, a freirinha samaritana. Invejar se tornou um crime moral, mesmo sendo inerente ao ser humano. Recusando esse sentimento, o que ocorre? Ele passa para o domínio do nosso inconsciente e começa a ser administrado pelas nossas sombras (inconsciente).

O mesmo ocorre com a ambição. A Ambição é estar hoje melhor que ontem e amanhã melhor que hoje. É a força de evoluir e crescer em todos aspectos. Se não somos ambiciosos estamos estagnados e a vida passa a ser um processo de osmose, apenas aguardando a morte. Não vamos confundir ambição com ganância. Ambição é prosperar, melhorar. Mas por que inseri a ambição na nossa conversa sobre inveja? Admiração, cobiça e ambição de alguma forma estão no mesmo barco que a inveja.

Vamos refletir assim:

Inveja boa = quando admiramos algo ou alguém, gostaríamos de ter igual e trabalhamos para conquistar. Se torna um sentimento que estimula e nos coloca pra cima, nos impulsiona a lutar por aquilo. É uma forma de ambição (que é diferente de ganância). Energia que estimula a conquistar coisas, a construir. É um impulso para o crescimento através de admirações.

A inveja ruim = olho algo, admiro, mas não estou afim de me esforçar para conseguir. Não quero ter trabalho para ter as coisas. Queria estar na situação do fulano, mas sem me esforçar como ele se esforçou ou mudar meu comportamento como ele mudou. Para não ter o esforço/trabalho de conquistar, o meu inconsciente vai trabalhar assim: se isso não existir, não vou querer ter. Se eu não tiver, ninguém vai ter e pronto. Aí a pessoa começa a colocar defeito, denegrir, projetar energia negativa. O indivíduo contaminado por esse sentimento se torna destrutivo, faz maledicências, fofocas… na verdade é uma defesa ao sentimento de “não tenho”.  “Não quero ter trabalho ou não sei conquistar aquilo que admirei, então prefiro tentar destruir a coisa pra que não me sinta inferior.”

De que forma você está utilizando essa energia de admiração, propulsão em sua vida? A inveja faz você crescer e prosperar? Que tal meditar no futuro um pouco mais sobre o tema e admitir para você mesmo(a) que inveja é algo natural e você também tem esse sentimento, absolutamente humano? Aceitar as coisas que simplesmente existem em você, fazem suas forças magnéticas também virem para o seu lado e trabalharem ao seu favor. O que voe aceita e admite trabalha na luz; o que você recusa continua existindo, mas vai pro perigoso ambiente das sombras.

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Vamos para um exemplo hipotético. Imaginemos que você seja solteira e encontrou uma amiga que não via a muito tempo. Essa amiga está casada com um homem muito bem sucedido, eles tem uma relação de contos de fadas, e você não consegue nem ficar mais que 1 mês com um namorado. Automaticamente você vai sentir uma pontinha (ou pontona) de inveja nascendo. Se você tem posse de si e possui amor próprio, ficará feliz pela pessoa e ainda vai bater um papo pra conseguir uma dica explicando que está tendo dificuldades de manter relacionamentos e bla bla bla e tentar entender como ela conseguiu estar bem (aprender com o exemplo).

Se você NÃO tem posse de si, e não está disposta a mudar/trabalhar para conseguir o que almeja, automaticamente você já vai começar a maquinar que a pessoa é sempre traída, vai procurar defeitos no marido da amiga… é o fatal “antes só do que mal acompanhado”. Essa frase normalmente é reflexo de pessoas amarguradas. É tentar se convencer e justificar que não consegue arrumar alguém porque você é seletiva(o). Pura bobagem. O tal do recalque! Uma coisa não tem nada a ver com outra. A existência de algo ruim não anula a existência de uma boa.

Quem não está atraindo as coisas positivas para si é você mesma(o). Mas para defender a inferioridade que você vai sentir se admitir que não consegue cultivar um relacionamento afetivo, seus mecanismos de defesa energéticos e mentais vão criar ideias pra que você não se sinta tão mal.

Portanto, o caminho é o auto-conhecimento e a humildade para aceitarmos que não somos tão bons e perfeitos como gostaríamos. Menos vaidade e mais verdade!

 

Temos que nos defender da inveja? Se sim, como?

Primeiro, vamos aceitar o conceito que não temos nada. O que é efetivamente seu? O que ninguém pode de tirar? Seu dinheiro podem tirar, seu relacionamento afetivo podem tirar, seus familiares podem tirar, seu trabalho podem tirar. A única coisa que não podem tirar de você, É VOCÊ!

TEMER INVEJA = ter medo de perder, não querer dividir ou ter duvidas sobre a sua capacidade. Se preocupar com a inveja é acreditar que você possui as coisas que não são “possuíveis”. Então, se você acha que tem uma amiga que tem inveja de seu relacionamento, isso significa que você acha que é a dona do namorado ou que pode ser trocada a qualquer momento.

Tudo que vc diz “é meu”, gera medo e receio de que alguém o retire de você. Para se defender da inveja, primeiro é imprescindível precisa lidar com o desapego!

Perceba que o que é seu mesmo, ninguém tira. Talentos, por exemplo. As pessoas podem imitar, mas nunca terão igual. Se você é ótimo com matemática, por exemplo, podem criticar seu raciocínio, dizer que você chega aos resultados de forma incorreta, tentar te denegrir, mas ninguém pode roubar sua capacidade lógica. É genuinamente sua, ninguém retira.

Quando nos sentimos ameaçados pela inveja alheia, o legal é analisar o que estamos com medo que alguém roube? E depois de identificar, colocar à disposição. O sofrimento, medo e insegurança são decorrente da falta posse que temos de nós mesmos. Se não confiamos em nós mesmos como achar que algo ficaria com algo que não é confiável? Você ficaria ao seu lado verdadeiramente?

Solução: quando você percebe que inveja alguma coisa, já sabe que tem que se esforçar para conquistar aquilo. Ao invés de criticar o cara por ele ter um carrão “ele só tem porque é filhinho de papai”, por que você não canaliza sua energia em algo como “eu gostaria de ter um carrão desse também. Vou me planejar e canalizar minhas forças nesse objetivo”.

Em relação a quem acha que é vítima da inveja (olho gordo): você tem dificuldades em projetar os seus talentos e capacidades para o exterior. A inveja nos mostra mais quem somos do que quem é o outro. Pense. O que é seu e o que você vai levar para o tumulo? As pessoas que amamos são experiências de vida, compartilhamos, mas não são nossas. Você não leva carro, não leva namorado, não leva marido, não leva profissão, não leva cargo, não leva status, não leva amigos, não leva nada. A morte é o maior nivelador do universo. Coloca todos na mesma condição!
E lembre-se! Energia negativa, olho gordo, macumba, etc só se sustentam em terreno fértil. Então se você está realmente sendo vítima de forças negativas que estão se acumulando ao seu redor, é você que precisa mudar. Quando não sustentar mais esse tipo de energia, ela se dissipa!

Espero ter plantado uma sementinha para reflexão.

Axé!

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About Carlos Machado Jr (Caju)

Leonino com ascendente em Sagitário. Estudo e me interesso por mediunidade, espiritualidade, astrologia, esoterismo, Umbanda, psicologia, parapsicologia, comportamento, religiões, orixás, ocultismo, oráculos, filosofia e mais uma dezenas de temas. :-)

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