sexta-feira , 16 novembro 2018
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Aleister Crowley mago magia ocultismo
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Aleister Crowley, um mago?

Ele invocou demônios, tentou invocar anjos e ressuscitar deuses. Conversou com espíritos, morreu dizendo que era a reencarnação de Eliphas Levi e fundou uma religião.

Edward Alexander Crowley nasceu entre as 11:00 e noite e meia-noite do dia 12 de Outubro de 1875 em Warwickshire, na Inglaterra. Seu pai era um missionário de uma ordem cristã muito conservadora, conhecida como Irmãos de Plymouth. Aos 11 anos perdeu o pai, vítima de câncer na língua, e passou a conviver somente com a mãe, cristã fervorosa com quem não se relacionava bem. Ela se referia ao filho como “a besta”. O jovem Edward Alexander foi enviado a um colégio da Irmandade Plymouth, de onde foi expulso por “tentar aliciar outro garoto”. Posteriormente passou pela Escola Tonbridge e pelo Colégio Malvern. Desprezava o cristianismo e os princípios sob os quais foi criado.   

Na adolescência, começou a estudar esoterismo e ocultismo. No ano de 1895, iniciou o curso de filosofia em Cambridge, que logo trocou pelo curso de Língua Inglesa. Passou a detestar mais os conceitos cristãos. Sobre isso declarou em seu livro The Confessions of Aleister Crowley: 

 A Igreja da Inglaterra […] parecia uma estreita tirania, tão detestável quanto a dos Irmãos de Plymouth; menos lógica e mais hipócrita… Quando eu descobri que a capela era obrigatória eu imediatamente revidei. O reitor júnior me repreendeu por não estar comparecendo a capela, o que eu certamente não estava, pois isso envolvia acordar cedo. Eu me desculpei com o fundamento de que tinha sido criado entre os Irmãos de Plymouth. O reitor pediu para que eu viesse vê-lo ocasionalmente e falar sobre o assunto, e eu tive a surpreendente ousadia de escrever a ele: ‘A semente plantada pelo meu pai, regada com as lágrimas de minha mãe, teriam crescido profundas de mais para que pudessem ser arrancadas até mesmo por sua eloquência e aprendizagem‘. 

Enquanto estava na Universidade, resolveu mudar o nome Edward Alexander para Aleister. Em relação a mudança de nome, disse em seu livro:  

Por muitos anos eu me aborreci sendo chamado de Alick, em parte devido ao som desagradável e a visão da palavra, e em parte pois esse era o nome que minha mãe me chamava. Edward não parecia se ajustar a mim e os diminutivos Ted ou Ned eram ainda menos apropriados. Alexander era muito longo e Sandy sugeria ser loira com sardas. Eu tinha lido em um livro ou outro que o nome mais favorito a se tornar famoso era composto de um dátilo seguido por um espondeu, como no fim de um hexâmetro: por exemplo Jeremy TaylorAleister Crowley preenchia essas condições e Aleister é a forma gaélica de Alexander. Adotar este nome satisfaria meu ideal romântico. A ortografia atroz A-L-E-I-S-T-E-R foi sugerido como a forma correta pelo Primo Gregor, que deveria saber melhor. De qualquer modo, A-L-A-I-S-D-A-I-R cria um dátilo muito ruim. Por essas razões eu decidir ficar com meu pseudônimo presente — Eu não posso dizer que tenho certeza que facilitei o processo de ficar famoso com isso. Eu deveria ter feito isso sem dúvida, qualquer que tivesse sido o nome que eu escolhesse. 

 Em suas horas vagas praticava alpinismo, jogava xadrez, consumia drogas alucinógenas objetivando entrar em contato com outros planos, frequentava bordéis e escrevia poemas eróticos.  O sexo era algo muito marcante em sua vida. Era bissexual .

Em 1897, Crowley conheceu um homem chamado Herbert Charles Pollitt, com o qual teve um relacionamento que não durou muito tempo, pelo fato de Pollitt não se interessar por esoterismo. Sobre isso, disse Crowley: 

 “Eu disse pra ele francamente que eu tinha devotado minha vida a religião e que ele não se enquadrava no esquema. Agora eu vejo como eu fui imbecil, como terrivelmente errado e fraco é rejeitar qualquer parte da personalidade de uma pessoa.” 

Passado esse relacionamento, tornou-se adepto de atividades sexuais em grupo e até até sadomasoquistas. Passou a considerar o sexo uma prática religiosa. Abandonou Cambridge sem chegar a tirar diploma nesse mesmo ano.  

Em 1898, iniciou-se na Ordem Hermética da Aurora Dourada, aonde começou de fato sua carreira como ocultista. Pouco tempo depois, desligou-se da ordem por não concordar com alguns conceitos e detestar alguns outros membros, como Arthur Edward Waite (criador do Tarô mais famoso do mundo:  Rider-Waite). Em 1903, casou-se com a irmã de um amigo, chamada Rose Edith Kelly.  

O ano de 1904 foi talvez o que mudaria tudo: a revelação que modificaria toda sua vida estava para ocorrer. Crowley estava viajando o mundo, e em março na cidade do Cairo, Egito, durante uma invocação de elementais do ar para sua jovem esposa, ao invés de silfos, ocorreu a manifestação do deus Hórus por intermédio de sua esposa. O Deus ensinou um ritual, que Crowley posteriormente realizou. Ao final do ritual recebeu um espírito chamado Aiwaz (possível emissária do deus egípcio Hoo-paar-kraat ou Harócrates) que psicografou através dele o “Livro da Lei”.  

Aleister Crowley - Livro da Lei
Aleister Crowley – Livro da Lei

Esse livro falava sobre a nova era, que poderia ser sintetizada com a frase: “faze o que tu queres, há de ser o todo da lei” e “o amor é a lei, amor sob vontade” e deu início à Thelema, a religião fundada por Alesteir Crowley.  

Cada vez mais aumentava sua sede por contato e conhecimento com o oculto, e passou a praticar  magia negra, e intensificar suas orgias. Nessa época se viciou em cocaína e heroína. Apesar da fama, nunca realizou nenhum tipo de sacrifício humano ou nada do tipo, porém praticava rituais que envolviam sangue de animais. Chegou a tentar trazer à vida, os deuses romanos Júpiter e Mercúrio. Como seus diários eram muito detalhados, todas as transcrições posteriormente foram publicadas em livros. Durante essa fase, seus amigos, que viviam em Paris, afastaram-se dele.  

Consta em seu diário, que em sua residência na Escócia, a Casa Boleskine, tentou invocar um anjo da guarda através de um ritual um tanto quanto incomum: ele teria que invocar 12 demônios e neutralizar um a um, ao longo de seis meses (em abstinência de drogas, sexo etc). No meio desse ritual, ele precisou viajar a Paris. Desde a interrupção da magia, a casa ficou marcada por tragédias. Mesmo depois de ser vendida, em 1913, o major Edward Grant, dono do imóvel nos anos 1960, cometeu suicídio deitado na cama onde Crowley dormia. Jimmy Page, guitarrista do Led Zeppelin, também foi dono, mas tinha medo de dormir no local. Em 2015, o lugar pegou fogo misteriosamente e hoje se encontra em ruínas 

Casa Boleskine - Residência de Aleister Crowley na Escócia
Casa Boleskine – Residência de Aleister Crowley na Escócia

 

Em 1909, Crowley estudava o Alcorão e certa vez invocou 30 demônios em uma cerimônia de magia sexual para o demônio Choronzon, conhecido pelo número 333 e por provocar alucinações . Teve uma filha, que morreu com 2 anos de idade, e tinha o nome de vários demônios: Nuit Ma Ahathoor Hecate Sappho Jezebel Lilith Crowley. 

Em 1920 ficou conhecido como “o homem mais perverso do mundo” (título concedido pela imprensa britânica). Apesar da fama, nunca teve muitos seguidores e chegou a torrar todo o patrimônio da família. Em 1930, com a ajuda do poeta Fernando Pessoa, Crowley simulou a própria morte em Portugal. Reapareceu semanas depois em Berlim 

Nesse período, afirmava ter contato com um ser alienígena chamado Alamantrah. Estudou o Tao te Ching (taoísmo chinês) e começou a realizar regressões de vidas passadas. Crowley acreditava ter sido em suas vidas passadas o líder taoísta Ge Xuan, o papa Alexandre VI, o místico Alessandro Cagliostro e o mago Eliphas Levi.  

Aleister realizava rituais ao deus Rá ao nascer e ao pôr do sol. Conduzia também missas gnósticas, variações dos rituais de missas negras, onde seus seguidores se cortavam com lâminas sempre que precisavam de favores de entidades de civilizações milenares da Grécia, Egito ou Babilônia.  

Em 01/12/1947, com 72 anos, Aleister Crowley falece vítima de bronquite crônica e problemas cardíacos. Depois de quatro dias, foi realizada uma cerimônia que ficou conhecida como “O Último Ritual”, com a leitura de trechos da Missa Gnóstica, e do Hino à Pã. 

Seus últimos anos de vida foram na pobreza e quase sem seguidores. O escritor Paulo Coelho e o cantor Raul Seixas foram seguidores de Crowley (Paulo Coelho dá mais detalhes em seu livro As Valkírias) e inclusive compuseram uma canção em homenagem à Thelema: “Viva a Sociedade Alternativa” 

“Faça o que tu queres/Pois é tudo/ Da lei” 

Fora do universo ocultista Crowley se tornou conhecido devido as referências feitas a ele por ídolos do Rock, como Beatles (ele é uma das figura na capa do album Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band), Rolling Stones, Iron Maiden,  Led Zeppelin, Black Sabbath, David Bowie, Bruce Dickinson, Ozzy Osbourne, Weverthon Patric, Raul Seixas entre outros.  

Aleister Crowley na capa do album Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band (The Beatles)
Aleister Crowley na capa do album Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band (The Beatles)

 

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About Carlos Machado Jr (Caju)

Leonino com ascendente em Sagitário. Estudo e me interesso por mediunidade, espiritualidade, astrologia, esoterismo, Umbanda, psicologia, parapsicologia, comportamento, religiões, orixás, ocultismo, oráculos, filosofia e mais uma dezenas de temas. :-)

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